Terapia online funciona mesmo? O que diz a evidência
A terapia por videochamada é tão eficaz como a presencial? O que mostram as meta-análises das últimas duas décadas, onde o online funciona e onde não chega.
Há uma ideia que ainda corre por aí: a terapia a sério é no consultório, cara a cara, e o online é o que se arranja quando não há outra hipótese, é o acompanhamento de quem está longe, ou de quem não tem tempo de se deslocar.
É uma dúvida legítima, e não se responde com opinião. Responde-se com aquilo que a investigação já estudou, e estudou bastante.
O que a evidência diz, mesmo
Nas últimas duas décadas, a terapia por videochamada foi comparada com a terapia presencial em vários ensaios clínicos, e mais recentemente em meta-análises que juntam dezenas desses estudos. As conclusões apontam consistentemente no mesmo sentido: para os quadros mais comuns, a terapia por vídeo é tão eficaz como a presencial. Falo de ansiedade, depressão, perturbação de pânico, ansiedade social e perturbação de ansiedade generalizada, onde as revisões mais recentes não encontram diferenças com significado entre os dois formatos.
Há uma parte deste resultado que costuma surpreender as pessoas: a relação entre quem acompanha e quem é acompanhado - aquilo a que chamamos aliança terapêutica, e que faz boa parte do trabalho dar certo - mantém-se comparável quando a consulta é online. Ou seja, ligação não deixa de funcionar por acontecer pelo ecrã.
Porque é que funciona
Quando olhamos para o que faz a terapia resultar, percebemos que depende da relação que se constrói, da conversa em tempo real, do trabalho estruturado que se faz entre sessões, e de tu levares para a tua vida aquilo que se trabalha em consulta.
Tudo isto atravessa o ecrã: a escuta, as perguntas, os silêncios, o ajuste ao que estás a sentir naquele momento - acontece em direto, contigo do sítio onde estiveres.
Onde o online não chega
Confiar no online não é fechar os olhos aos seus limites - e dizer-te onde não chega é, para mim, parte de fazer isto com honestidade.
Primeiro: as aplicações que prometem terapia só por troca de mensagens escritas, sem conversa em direto, têm uma base científica mais fraca. A qualidade da comunicação falada, com a possibilidade de responder ao que aparece no momento, parece contar para o resultado.
Segundo, e mais importante: o online não é o sítio para uma situação de crise ou de risco. Se estiveres em perigo, para ti ou para outra pessoa, isso não é momento para uma marcação calma - é momento para uma resposta imediata. Em Portugal, podes contactar a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio - 1411 (gratuita e disponível 24 horas), e em emergência com risco imediato o 112. Em nenhuma circunstância o acompanhamento online substitui isto.
O que o online te tira do caminho
Posto isto, há coisas que o formato resolve e que pesam mais do que parece. Não há deslocação, não há trânsito, não há meia tarde gasta para uma hora de consulta e deixa de importar a localização geográfica do profissional que melhor se adequar a ti.
Há ainda quem o online torne a terapia possível pela primeira vez: pessoas com doença crónica, com mobilidade reduzida, com filhos pequenos ou com horários mais preenchidos.
No meu caso, trabalho exclusivamente online, pelo facto de me deslocar em cadeira de rodas - é o formato que me permite focar inteiramente em quem está do outro lado do ecrã. Se quiseres perceber se faz sentido para ti, podemos falar primeiro: uma conversa inicial de 15 minutos, sem custo e sem compromisso.
Escolher o online é igualmente válido, sem as dificuldades associadas ao formato presencial. Se o que te faltava era esta certeza, agora tem-la. Quando quiseres, eu estou aqui.
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