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Como escolher um psicólogo - e o que confirmar antes de marcar

22 de junho de 2026 · 5 min de leitura · Bruno Carvalho, Psicólogo Clínico

Como escolher um psicólogo de confiança em Portugal: o que confirmar antes de marcar, como verificar se é legal e habilitado, e os sinais de um bom e de um mau profissional.

Como escolher um psicólogo - e o que confirmar antes de marcar

Se estás à procura de um psicólogo, faz todo o sentido quereres ter a certeza de que essa pessoa é de confiança. Ainda assim, a maioria das pessoas escolhe um psicólogo usando poucos critérios, por não saber bem o que ter em atenção no momento da decisão.

Este texto é um mapa para te ajudar a escolher, começando pelo que se verifica em minutos e acabando no que só tu podes avaliar. (E se ainda hesitas entre psicólogo e psiquiatra, vê primeiro a quem faz sentido recorrer.)

Primeiro: confirma que é mesmo psicólogo

Pode parecer básico, mas é o passo que mais gente salta. Em Portugal, o título de "psicólogo" é protegido por lei. Para exercer, é obrigatório estar inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) como membro efetivo - e é grave usar o título sem essa inscrição.

Isto é mais do que uma formalidade. A inscrição na Ordem garante-te que a pessoa tem a formação exigida, está sujeita a um código deontológico e responde perante uma entidade reguladora se alguma coisa correr mal. É a diferença entre alguém que se intitula "terapeuta" depois de um workshop de fim de semana e um profissional habilitado.

Confirmá-lo leva um minuto. A OPP tem um diretório público no site, onde pesquisas pelo nome ou pelo número de cédula profissional e vês se a inscrição está ativa. Um bom profissional mostra o número de cédula sem que precises de o pedir - costuma estar no site, nas redes sociais ou na assinatura dos emails.

As credenciais que importam

Estar inscrito é o mínimo, mas não são tudo. A partir daí, há sinais que ajudam a decidir:

Um aviso, no sentido contrário: não deixes que uma lista interminável de siglas te impressione por si só. O currículo mais comprido não é, necessariamente, a melhor escolha - procura sobretudo alguém competente, atualizado e com quem te sintas em segurança.

O que tens todo o direito de perguntar antes de marcar

Esclarecer o básico antes da primeira sessão não é ser exigente a mais. É ser cuidadoso com o teu tempo e com o teu dinheiro. Um bom profissional responde com clareza a perguntas como:

E presta atenção não só ao que respondem, mas a como respondem: transparência e à-vontade para falar destas coisas são, em si, um bom sinal.

Os sinais de alerta

Há comportamentos que, num psicólogo, te devem fazer recuar:

Nenhum destes sinais, isolado, prova má-fé; são apenas sinais que te devem alertar para olhares com mais atenção antes de avançar.

Por fim: o sinal que nenhum currículo te dá

Verificada a parte formal, sobra a mais importante e a mais difícil de medir: como te sentes com aquele profissional.

A terapia funciona, em grande parte, pela relação de confiança que se cria entre vocês. Podes ter à frente o profissional mais qualificado do país e, ainda assim, ele não ser a pessoa certa para ti. Não há problema nenhum nisso.

O senão é que, muitas vezes, esta realização só aparece depois de uma primeira conversa. É por isso que, se possível, faz sentido um primeiro contacto curto, sem compromisso, antes de marcares.

Se quiseres aplicar a mim os critérios deste texto antes de decidires, conhece-me numa conversa curta, sem custo nem compromisso - serve para confirmares, com estes critérios em mente, se faço sentido para ti.

Escolher bem é um desafio, mas é o primeiro passo para iniciar um processo psicoterapêutico. Se este texto te deu critérios para confiares mais na tua decisão, seja ela qual for, então valeu a pena escrevê-lo.

Referências

[1] Lei n.º 57/2008, de 4 de setembro - Cria a Ordem dos Psicólogos Portugueses e aprova o seu Estatuto (com a redação dada pela Lei n.º 138/2015, de 7 de setembro). Diário da República.

[2] Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The efficacy of cognitive behavioral therapy: A review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36(5), 427-440. https://doi.org/10.1007/s10608-012-9476-1

[3] Cuijpers, P., Miguel, C., Harrer, M., Plessen, C. Y., Ciharova, M., Ebert, D., & Karyotaki, E. (2023). Cognitive behavior therapy vs. control conditions, other psychotherapies, pharmacotherapies and combined treatment for depression: a comprehensive meta-analysis including 409 trials with 52,702 patients. World Psychiatry, 22(1), 105-115. https://doi.org/10.1002/wps.21069

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